sábado, 9 de agosto de 2014

SSB or not SSB…

Voltando vários anos atras em nossa dita “era eletrônica”, lembramos que no passado as comunicações não eram nada parecidas com o que tempos hoje, à nossa disposição. Como sempre falamos nos barcos, temos que o VHF era a principal ferramenta de comunicação, e que enfrentávamos filas de espera enormes, para conseguir uma mísera chamada a cobrar para um número fixo em terra. Além do nome do barco e do prefixo, as estações costeiras pediam o QRC, ou código de cobrança, para o caso da ligação ser paga pelo dono do barco. Após aguardar horas, conseguíamos realizar uma chamada, bastante clara por sinal, onde não somente nós participávamos da ligação, mas também quem quizesse ouvir pelo menos um dos interlocutores... sem comentários.

Outra opção, mais utilizada quando nos afastávamos da costa, era o SSB, do inglês Single Side Band, também conhecido por HF no Brasil, ou Radio de Alta Frequência, derivado do inglês Higth Frequency. Estes caros equipamentos eram extremamente restritos a uns poucos canais, visto que ainda utilizavam cristais para realizar a modulação de cada frequência, além de consumir uma barbaridade de energia. Com o tempo, criaram os radios sintetizados, que permitiam sintonizar qualquer frequência com apenas um cristal, e também foram criados canais padronizados no mundo todo. O Brasil, como não poderia deixar de ser, além de ter deixado de exportar os cristais que produzíamos, acabou adotando frequências que não fazem parte do que se tornou o padrão internacional de comunicação. Com isto, quando compramos um caro e moderno SSB novinho, descobrimos que os Iate Clubes não operam nas frequências padronizadas, e precisamos pagar também pelo “destravamento” das frequências, permitindo que passemos a operar em canais, digamos, até certo ponto irregulares.

Quem já teve a oportunidade de falar em um radio destes antigos, sabe que às vezes se consegue uma chamada muito boa, outras vezes é como se mantivesse um diálogo com o Pato Donald. Tenho lembranças boas e ruins destes tempos, quer seja quando tentei conversar com minha familia, na viagem de regresso de uma ida ao Japão em um navio da Petrobras, quer seja quando meus tripulantes falavam com o operador Flavio do ICRJ (PYE-21) todos os finais de tarde de uma travessia de veleiro do Rio a Flórida, para saber sobre o capítulo da novela do dia anterior, enquanto isto Salomão Hayala e Odete Roitmann tomavam chá em algum lugar da TV, pois sinceramente não me lembro que novela eles acompanham tão febrilmente.
Hoje, o SSB gera uma fonte de receita para os importadores e uma fonte de apurrinhão para os donos de barcos, pois seu uso é praticamente nulo a bordo. Proprietários de barcos mais abastados e modernos preferem investir em um equipamento de comunicação via satélite, como o Inmarsat-C do que em um radio de operação complicada e que sua eficiência depende da propagação de um sinal lançado a esmo na atmosfera. É bem verdade que no exterior, os cruzeiristas fazem um grande uso destes equipamentos, e que as chamadas “Rodas dos Navegadores”, onde estações terrestres prestam apoio (às vezes remunerado) a barcos que realizam longas travessias, e tem nessa rede de estações apoio para receber boletins e previsões meteorológicas, resolver problemas mecânicos simples, conseguir informações sobre portos e agendar possiveis reparos e peças com antecedência. Fora isto, existe provedores que enviam mapas meteorológicos e ainda operam caixas postais de internet via SSB, abrindo um enorme leque de opções.

Após o advento do GMDSS, que é o atual sistema de chamada de socorro, estes mesmos radios receberam acessórios ligados a segurança, como interface com o GPS e o botão de chamada de socorro (Distress), que infelizmente não foi adotado por nossas autoridades. Cabe aqui uma pequena observação, não se consegue entender o porquê do Brasil simplesmente não cumprir certos acordos internacionais dos quais é signatário, como o fato das estações costeiras do Brasil não possuírem equipamentos para operar este sistema, diga-se implementado mundialmente e negligenciado por nós, como Estado.
Voltando ao SSB, fica a dúvida, se deveríamos manter estes equipamentos como exigência para barcos que naveguem para o Alto Mar, como manda a Normam03, ou se deveríamos deixá-lo como opção para os mais aventureiros, permitindo que pudéssemos substituí-lo por uma tecnologia mais eficiente como a satelital. Não que o custo seja menor, ainda não o é, mas tem sim, maiores possibilidades que as ditas aleatórias frequências de radio.

O INMARSAT-C possui o tal botão Distress, mas a recepção de seu pedido de socorro, se faz por uma rede internacional de monitoramento, que rastreia os satélites Cospas-Sarsat e seu pedido será passado diretamente aos órgãos competentes, sem depender da boa vontade de uma multinacional de telecomunicações, que não vê sentido em atender assuntos de bem estar público, que não geram lucro para suas matrizes. Neste equipamento, é possivel receber boletins de tempo, avisos de segurança, avisos aos navegantes e ainda realizar o trekking do barco em travessias. As comunicações, através de email também são possíveis, mas seu custo proibitivo para qualquer mensagem que não seja realmente importante.

De certa forma, o Brasil já deixou de lado o NAVTEX, um serviço do qual (mais uma vez) fomos signatários, e que nunca fizemos funcionar; em troca do INMARSAT-C, pois nossas autoridades concluiram que é melhor ter um equipamento via satelite do que algo que utiliza estações costerias para transmissão, sendo o Brasil um dos poucos países do mundo onde as comunicações de segurança não são prestadas por um orgão público, seja civil ou militar. O NAVTEX traria grandes vantagens aos navegadores ditos de menor poder aquisitivo, pois tem quase o mesmo leque de serviços, menos o envio/recepção de mensagens, e tem um custo muito mais adequado a embarcações de menor porte, como a quase totalidade de nossa frota pesqueira profissional, além dos veleiros e lanchas que cruzam nosso imenso e quase inóspito litoral.


A Marinha do Brasil e a ANATEL caberia pressionar a operadora da Rede Radio Costeira, antigamente a EMBRATEL, para que atenda ao GMDSS, ou nos dispense de ter de adquirir equipamentos que, simplesmente não funcionam como deveriam em nosso proprio litoral. Numa grossa comparação, de nada adianta chamar pelo apito, se o vigilante é surdo!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Chegou o Inverno! Esfriou? Então é hora de… navegar!

Artigos inspirados em publicações estrangeiras, geralmente colocam em pauta uma matéria que aconselha as pessoas a docarem seus barcos nesta época, realizando reparos e outras atividades que mantem o barco e seus navegadores longe do mar.

Meu ponto de vista é contrario a eles. Prego que o Inverno é uma das melhores épocas para se navegar, pois com um número menor de barcos, veleiros e Barcos de Cruzerio a Motor, tem a possibilidade de navegar em paz, sem ter de enfrentar marolas causadas por lanchas rápidas e mal-educadas, ou a bagunça causada por gente fundeada nas proximidades com o som nas alturas, além de outros exageros de que somos vítimas durante a época mais “quente” do ano, em todos os sentidos.

Podem dizer que o tempo piora, e isto é verdade até certo ponto, pois as Frentes Frias são bem previsíveis nos bons mapas meteorológicos, e podemos nos preparar antecipadamente, procurando um bom abrigo e realizando um cuidadoso e bem seguro fundeio.  Quando a frontal chegar, voce vai estar deitado com um livro no colo e um chocolate na caneca, e não vai ter de enfrentar uma tempestade de verão em um final de tarde, que chega sem aviso e sem noção, com fortes rajadas ciclônicas, que jogam o barco num círculo de vento, que te arrasta em qualquer direção.
No inverno, o sol é mais amigo, e o barco não fica tão quente. As noites são frias, e os cobertores ganham a vez de trazer aconchego, pois no verão nem o ar condicionado resolve, como o verão de 2014, que foi dos mais rigorosos da história. Antes dele, usávamos a expressão “rigor”, apenas para o inverno, mas este ano a coisa foi alucinante.

Porém, se não fazemos os reparos agora, quando iremos colocar o barco em ordem? Eu aconselho que o faça na Primavera, uma estação bonita no nome e que lembra abelhas voando de flor em flor, mas no mar a coisa fica realmente confusa. As frentes que no Inverno obedecem a uma ordem natural e previsível, na Primavera surgem aleatória e seguidamente de qualquer ponto do litoral Sul, ganhando velocidades ciclônicas, e lançando ressacas imensas sobre nossa costa, tornando o ato de navegar em um, quase, sofrimento.

Dizer que todo o nosso litoral é bom no inverno não é correto, pois nossa costa Nordeste sofre com fortes ventos e chuvas; ressacas inacreditáveis invadem a Baia de Todos os Santos e ventos como o Pampeiro, o Minuano e o perigoso Carpinteiro, atazanam com a vida dos gauchos e catarinenses, os pobres pescadores profissionais que o digam. Porém, na região da Baia da Ilha Grande, voce tem como aproveitar, sem grande estresse, os excelentes abrigos encontrados em locais como Paraty-Mirim, Saco do Céu e Sitio Forte, além de outras enseadas menos cotadas, porém muito protegidas não só pelo abrigo do vento, mas pela qualidade da tensa (fundo do mar) que é muitas vezes de lama, e segura a ancora como num grude salvador.

Nesta época, além das vantagens já mencionadas, encontramos vagas nas excelentes marinas da região, com o fim do defeso  do camarão rosa o cardapio recebe um reforço muito benvindo e o clima, se não pede uma calefação, certamente acata bem uma sopinha e uma garrafa de um bom vinho.

Faz quase trinta anos que navego profissionalmente, e poucos lugares dentre os que eu conheço se aproximam ou se assemelham a Baia da Ilha Grande, quer seja como beleza natural, quer seja como o excelente recorte do litoral ou mesmo a profundidade média e qualidade da água ou da já comentada tensa.

Se for navegar em Angra, esteja certo de que se estiver chovendo, o azar será todo da chuva!

Navegue por prazer,

Navegue com prazer,


Navegue o ano todo!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Barcos para que te quero?!

Este texto, foi publicado originalmente em minha nova coluna no Portal da Revista Nautica (http://www.nautica.com.br/author/alvaro-otranto/) que irá tratar dos mesmos assuntos abordados por este blog, que deverá agora ser mais dedicado aos profissionais do Iatismo nacional.

Sabemos que os barcos já eram utilizados pelos seres humanos desde a pré-historia, quando pedaços de madeira foram unidos por cipós e se transformaram nas primeiras embarcações “construidas” de que temos notícia. Atualmente, processos ainda primitivos de escavamento de enormes troncos de árvores, são preparados com fogo e ferramenas rústicas, para fins de navegação, como os encontrados em várias partes do mundo, notamente por aqui mesmo.

A princípio, estas embarcações foram construidas com a finalidade de alcançar comida em outras localidades, somente acessíveis por mar ou isoladas por braços de rios ou algum espelho de água. Hoje em dia, embarcações gigantescas cruzam os mares em altas velocidades, transportando todo o tipo de carga, sejam combustíveis, alimentos, insumos e mesmo pessoas. O Iatismo, como sabemos, utiliza o barco como forma de prazer e satisfação, e divido as duas, pois o prazer é trazido pela beleza das paisagens, o sabor da comida e a qualidade dos serviços de bordo, mas a satisfação é algo mais abrangente, que se alcança pelo conjunto das atividades praticadas, o ambiente, a companhia e até mesmo o status que vem com o ter uma embarcação aqui chamada de esporte-e-recreio, mas que não traduz devidamente a feliz expressão inglesa: pleasure boat.

Como defensor das embarcações de cruzeiro, sejam elas a vela ou a motor, ergo aqui a bandeira de que o prazer precisa ser lento, pois se prolonga, e me perdoem a analogia capciosa, mas uma noite inteira de amor é bem melhor do que um encontro passageiro, do tipo “rapidinha”. O prazer de navegar vagarosamente, por baias e enseadas é intenso, pois permite que se desfrute de cada ângulo e detalhe. Quando cruzamos em alta velocidade, recebemos uma descarga de adrenalina muitas vezes descessária, pois o que se busca em um final de semana ou passeio de barco é o relaxamento e não a continuação da vida atribulada de uma grande cidade.

Este espaço será dedicado a idealizar, projetar, organizar e preparar um Barco de Cruzeiro a Motor destinado a acolher pessoas que pretendam realizar viagens ou mesmo morar a bordo de uma embarcação confortável e segura, que utilize a propulsão mecânica. Porém, que fique claro que desde o inicio deste tipo de navegação “amadora” a vela e os motores sempre estiveram juntos, e por muito tempo os barcos de propulsão mista foram os mais numerosos. Ainda hoje, os barcos do tipo Passagemaker utilizam uma pequena vela, seja para dar uma certa estabilidade como para auxiliar e economizar combustível em longas pernadas de ventos favoráveis. Não iremos considerar os velejadores como concorrentes, lutando pela mesma enseada, mas parceiros de modo de vida, que utilizam métodos diferentes para alcançar a mesma finalidade, que é viver a vida da melhor maneira possivel!

Barcos a vela têm suas vantagens, como o uso de propulsão limpa e até certo ponto infinita, mas o esforço físico necessário nas manobras, o desconforto de se navegar com o barco adernado por vários dias, o cozinhar e comer numa gangorra e ter de chamar seu banheiro de “camara de torturas” é algo duro, sem mencionar o lugar comum, conhecido por todos os que navegam:

“Um veleiro não sabe exatamente quando deixará um porto, e não tem a mínima ideia de quando chegara a seu destino”.

Pregamos aqui, um modo de navegar grandes distâncias, sem precisar da escolta de um navio-tanque, podendo programar suas partidas e chegadas com um mínimo de precisão, e desfrutando da maioria dos confortos da vida moderna, evidentemente obedecendo ao poder aquisitivo de cada proprietário de embarcação. No correr dos artigos, iremos notar que as semelhanças entre os barcos a vela ou a motor de Cruzeiro, obedecem a uma certa lógica comum e que a tradição de um pode auxiliar o outro a melhor se adaptar as dificuldades do dia-a-dia a bordo de um barco.

Adiante Navegando, será nosso lema e nosso destino!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

VHF - Canal Ocupado


Quem ainda não se deparou, com pessoas de língua estranha, provavelmente chinês ou coreano, entupindo a frequência no Canal 68 do seu rádio VHF?

Na Baía da Guanabara notadamente, os operadores do Eco-21 e E-37, Iate Clube do Rio de Janeiro e Marina da Glória, respectivamente, tentam liberar a frequência, utilizada no Brasil pelo Iatismo, o problema é que esta não é uma regra geral e os rádios produzidos para o mercado Norte-americano ajudam a complicar as coisas.

Sabemos que nossos “irmãos do Norte” dominam o mercado náutico mundial.  Para se ter uma ideia, havia 12,5 milhões de barcos registrados em 2011, enquanto que no Brasil não passávamos de 400 mil, nesta mesma época. Portanto algumas regras que eles determinam, acabam influenciando os fabricantes de equipamentos, e esforços de poucos não costumam fazer frente ao gigantesco apelo do mercado americano.

A ITU, (International Telecommunication Union) é um órgão da ONU que orienta sobre as telecomunicações no mundo, mas isto acontece de forma diferente em cada país. Como exemplo, a FCC (Federal Communications Commision) a ANATEL dos Estados Unidos, determina o uso das frequências de maneira diferente de outros países.

Na prática, se você ligar um rádio VHF, irá verificar que no display, além do número do canal, aparece embaixo uma “colinha”, indicando qual a finalidade do canal em uso, porém esta indicação pode variar de fabricante para fabricante e depende até do país para que foi produzido, notadamente os EUA.

De todas as possíveis variáveis, alguns canais são internacionalmente respeitados. No Canal 16 aparece sempre “Calling” por ser o Canal Internacional de Chamada; assim como no canal 70 vai aparecer DCS, um canal destinado exclusivamente as chamadas Digitais Seletivas, que faz parte do sistema GMDSS, e permite que se chame uma determinada embarcação, como se fosse uma chamada de celular, utilizando-se o MMSI, um número que identifica cada estação.

Outros canais não são tão respeitados. O Canal 06, reservado a comunicações de segurança e resgate, ou o Canal 13 que pode ser utilizado apenas entre as pontes de navios que estejam realizando entrada ou saída nos portos, mas muitas pessoas não têm sequer ideia disto. No Brasil os navios costumam utilizar o Canal 14 para comunicação interna entre as estações de manobra, assim como a Praticagem costuma utilizar o Canal 11, mas nenhuma destas regras é de uso ou conhecimento geral, e muita confusão acontece no ar.

Agora, quando seguimos para o Canal 68, nos deparamos com a indicação “Ship-Ship”, ou seja, destinada a comunicação entre navios, ficando reservados para “Pleasure” (Recreio), os canais 69 e 71. Com isto se forma uma confusão local, pois muitos dos Iate Clubes no Brasil, utilizam tradicionalmente os canais 68 para chamada e 69 para tráfego, entre suas estações costeiras de apoio e os barcos afiliados ou não. Porém, os navios utilizam o Canal 68 para comunicação entre navios, e é muito comum que os oficiais façam uso desta frequência para “colocar o assunto em dia” com colegas conterrâneos, ou mesmo para trocar qualquer tipo de informação. Um verdadeiro canal de “bate-papo”.

No passado, contávamos com a Dentel, uma espécie de Delegacia das Telecomunicações, que não só ordenava o uso das telecomunicações em nosso litoral, mas também as fiscalizava, com força de polícia, contando com estações rastreadoras portáteis e atuando na limpeza das frequências, absurdamente utilizada por alguns. Sem falar nas estações de radio clandestinas, que prejudicam o seríssimo tráfego de radio entre aviões e aeroportos, mas vou me ater apenas ao uso marítimo.

Certa vez, em Angra, ouvi um restaurante fazendo propaganda de seu cardápio especial do Dia das Mães, no Canal 16 do VHF. Neste caso, havia várias infrações gritantes:

·          A Operadora não era licenciada, caso contrário saberia que não se pode utilizar o VHF para propaganda;

·          Fazer propaganda no VHF, como dito, é proibido – no canal 16 então? Um absurdo!

·          A Estação era clandestina, pois ficava numa ilha e pertencia a um restaurante, e não a uma embarcação;

·          Esta pouca gente percebeu no dia, mas apregoar que seus pratos seriam preparados com “camarões frescos”, durante o período do defeso do valioso crustáceo, também é indício de crime ecológico. Uma lambança!

Outra má recordação de uma determinada época na Baía da Ilha Grande era a do conhecido “Jacaré Cabeludo”, uma pessoa que invadia o Canal 68 com transmissões agressivas e cheias de palavrões, me lembro bem de um dia, em que uma forte tormenta de Sudoeste atingiu a região, e um veleiro em perigo não conseguia pedir socorro devido à incessante transmissão do referido operador. Conta a lenda que ele foi localizado, demitido do barco e expulso da marina em que trabalhava, mas ninguém sabe ao certo de quem se tratava. Não deixando saudades.

Transmissões ofensivas são uma constante no Canal 16 em plena Baia da Guanabara, frequência praticamente impossivel de ser utilizada naquela área, e apenas uma ação nos moldes do antigo Dentel poderia reverter o quadro de desrespeito e irresponsabilidade que invade nossas frequências.

Quanto ao uso do Canal 68 pelos pobres e saudosos tripulantes dos navios, não há muito a fazer, pois remamos contra a maré e seria mais fácil adotar o que quase o mundo todo faz, passando a operar nos canais “Pleasure”, 69 e 71 e acabando com uma contenda desnecessária.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013


Quinta-feira do Rescaldo!
 
Mais uma noite bastante tranquila, sem vento ou chuva.

O barco permaneceu no fundeadouro do Campinho.

Durante o dia, alguns passageiros seguiram a Camamú para um passeio, mas voltaram um pouco frustrados, devido a sujeira, a falta de estrutura e aquilo que sempre nos espera em locais pobres e mal cuidados. Sem falar que um dia depois do Carnaval, não sobrou “pedra sobre pedra” na região!

O almoço à bordo foi Salada Verde, Camarão com Moranga (pois servimos em panela de barro) e o tradicional pernambucano: Bolo de Rolo.

Quarta-Feira de Cinzas, 13 de Fevereiro de 2013


Visita a Taipús

Foi uma das poucas vezes que não choveu de madrugada!

Dia radiante, de muito sol, pouco vento e um calor de matar!

Os passageiros partiram para um passeio de van pelas praias de fora, e acabaram almoçando em um restaurante nas proximidades da Ponta do Gavião, o conhecido Bar da Jô. Muitos caminharam pelas praias, aproveitando o dia em terra.

O cozinheiro e eu fomos a Camamú, tentar repor alguns viveres, mas não encontramos nem mesmo, algo simples como água mineral! Frutas, pães e verduras... nem falar. Saudades do Mediterraneo, onde a Mansueto trazia em pouas horas, qualquer produto que fosse necessário! De figos gigantescos a Trfas negras do tamanho de bolas de tenis...

O caminho entre o barco e a Vila histórica de Camamú é bastante interessante, mas rasa demais. Acredito que o potencial turístico de toda a região é enorme, mas a falta de estrutura, e de um mínimo de canais dragados, dificulta e torna navegar por aquelas bandas, um perigo danado.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Segunda de Carnaval: 11 de Fevereiro de 2013


Maraú, Sem Cais e nem Carnaval?!
 
A noite foi tranquila, e nenhum tambor ou o mínimo rumor do Carnaval foi ouvido à bordo, Maraú estava apagada e praticamente deserta!

Choveu de madrugada, mas apenas uma pancada isolada.

De tarde, nossos passageiros saíram de Verde&Rosa para um passeio a Cachoeira de Tremembé, algumas milhas rio acima, retornando perto das 17h00. O passeio costuma ser muito interessante, pois é possivel entrar com alguns barcos dentro da queda de água da cachoeira. Numa das vezes que lá estivemos, conseguimos comprar uns dois quilos de pitus, catados pela garotada que brinca o dia todo, ao redor da cachoeira.

O almoço foi salada verde com couve-flôr, muzzarela de búfala e tomate cereja. Seguida de Tortelloni recheado de alcachofra com molho de funghi porcini trufado. Para fechar, a sobremesa foi Tiramissú a moda da Vinheria Percusi.

À noite, nosso cozinheiro assou um Bolo de Fubá, e a ceia teve grande aceitação.