domingo, 29 de julho de 2012

Partida de Regresso a Angra dos Reis


Amanheceu o dia 25 de fevereiro de 2012.
Pela manhã, o agito foi por conta da arrumação das malas, visto que era dia de partida. Naquela tarde, alguns partiriam para o Aeroporto de Florianópolis, e outros partiriam em direção a Ponta da Joatinga, em um rumo (042°) quase direto para Angra dos Reis, distante cerca de 350 Milhas Marítimas, o que deveria demorar cerca de quarenta e quatro horas de navegação.

Na hora prevista, desembarcamos as bagagens e os já saudosos passageiros, dando inicio a preparação para a viagem. Guardamos todos os estofados, cadeiras e outras peças móveis que poderiam provocar alguma avaria pelo barco; fechamos a tolda do Fly e completamos o tanque de consumo diário de combustível. Enquanto aguardamos a chegada de nossos passageiros ao Aeroporto; almoçamos e preparamos o espírito para partir.

A previsão do tempo vinha mudando constantemente, mas não era das piores: o mar estaria baixo, e os ventos deveriam rondar de Sudeste a Nordeste, o céu ficaria encoberto, mas sem chuvas, talvez apenas até nos afastar-mos do litoral de Santa Catarina. No ano anterior, o rabo do Furacão Arani (http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=76760) nos pegou em cheio, e passamos um mal bocado neste mesmo trecho de litoral.

Quando recebemos o sinal verde, com a chegada dos passageiros em tempo para pegar o vôo, acionamos as máquinas e suspendemos a âncora. Eram 14h00 à bordo, e 15h00 em Sta Catarina, pois preferimos acertar o horario do barco, visto que naquela mesma noite terminaria o horario de verão, e estas coisas é melhor se fazer, antes de começarem os horarios de quarto. As 15h30 (fuso -3) passamos a cerca de uma milha ao Sul da Ilha do Arvoredo, num mar picado, vindo de Sueste.

Começamos a acertar nossa rotina de viagem, e a primeira dupla assumiu o que era para ser o primeiro quarto de vigilância, quando as 16h10 o Piloto Automático parou de funcionar! Colocamos o leme em manual e aguardamos por uma rápida solução, que não veio. Nosso Chefe de Máquinas fez inúmeras tentativas para colocar o sistema em operação, porém sem sucesso.

Eram 19h00 quando consideramos como esgotados os recursos de bordo, e foi determinada uma mudança nos turnos, a fim de que houvesse um revezamento por pessoa, de meia em meia hora ao leme, e de quatro em quatro horas as duplas seriam substituidas. Como eramos em cinco pessoas a bordo, a conta não fechava, e acabei ficando com dois turnos; das quatro da manhã ao meio dia, e das 16h00 a meia-noite.

No correr dos horarios, ficou patente que comparar dois relogios digitais, ou tentar estabilizar uma pequena e oscilante bússola, não era tarefa facil. Felizmente, o nosso sistema de lemes original, foi substituido por um tradicional leme hidráulico, e governar ficou muito mais facil e preciso, assim mesmo não foi nada facil. Antigamente, ele funcionava como uma chave de fazia girar o leme para um lado ou para o outro, o ângulo do leme variava de acordo com o tempo que esta chave permanecia acionada – era péssimo, as guinadas se sucediam e o esforço para se manter o barco no rumo era infinitamente maior.

As horas foram passando e como não havia outro jeito, seguimos adiante. Pilotar, dia e noite, sem pontos de referência de terra e tendo de comparar os relogios digitais que indicam o ângulo do leme e o rumo a ser seguido não é tarefa das mais faceis, pois a vista vai cansando e as imagens acabam embaralhando. Nestas horas, o sono é um de nossos maiores inimigos.

No VHF ouvimos um navio da Marinha que, todavia não se identificava pelo nome, realizando atividades de vigilância. Quando chegou nossa vez, perguntou tudo o que já aparecia na tela do AIS, mas terminou com uma pérola: o tipo de carga que transportavamos... mesmo depois que haviamos sido identificados como um Iate?! Nestas horas, da vontade de soltar uma piada, mas não é bom mexer com esta turma, afinal estavamos todos a trabalho, de noite, balançando nas vagas e longe de casa.

O Domingo, dia 26 de fevereiro passou sem grandes novidades, um pouco de sol entre muitas nuvens, quase nada para se ver ou fazer além de manter o barco no rumo. Nossa velocidade se manteve regular, na casa dos 8.5 nós (meros 16 Km/h). Ao anoitecer estavamos muitas milhas ao largo do Porto de Santos, e aguardamos um aumento no movimento de navios, mas pouca coisa aconteceu.

Assim que escureceu, pudemos perceber uma grande atividade elétrica nos lados da Capital, devia ser mais uma daquelas enormes tempestades de verão que costumam atingir o planalto nesta época do ano.

Próximo da meia-noite, a tempestade ainda não havia dado trégua e acabou nos alcançando pela popa, quando passamos ao Sul da Ilha de São Sebastião. Dentro do Canal a coisa devia estar muito, mas muito feia porque os raios eram intensos e sucessivos! As rajadas de mais de 30 nós que vinham de Sudoeste nos deram um empurrão razoável, e chegamos a quase dez nós, sem tocar nos manetes, regulados para 1.200RPM.

Segunda-feira, 27/02/12 – Chegada a Angra dos Reis

Conforme a madrugada foi avançando, a tempestade foi perdendo força e apenas restou uma aragem. Por volta das 04h00 estavamos entre as Pontas Negra e da Joatinga, e passamos nossa madrugada desviando de uma pequena frota pesqueira, com mais de dez barcos, alguns arrastando suas redes, outros realizando seguidas manobras onde provavelmente cercavam algum cardume, algo dificil de ser previsto e negociado, ainda mais sem um piloto automático para nos dar constancia no rumo.

Ao amanhecer havia apenas uma aragem, com mar calmo e céu claro, dobramos a Ponta da Joatinga, porta de entrada da baia, as 05h00. As 07h00 já estavamos por dentro da Ilha da Gipoia, e largamos o bote do reboque que seguiu à nossa frente, nesta última reta da viagem.

Num rápido balanço, devo dizer que a viagem de volta até que não foi das piores, e se não fosse este problema no Piloto Automático, teria sido muito boa, pois o tempo ajudou e o vento real não ultrapassou, na media, os 16 ou 20 nós, o que foi nada se comparado ao ano anterior, onde rajadas contrárias acima dos 45 nós, transformaram esta pequena travessia em um purgatório!

Eram 07h30 quando encerramos a manobra de atracação à Marina do Piratas, onde o Junior, gerente da mesma nos esperava com suas “Boas Vindas”!

Haviamos passado três semanas fora, e singrado 900 milhas náuticas, pouco mais de 1.600 quilometros. Fundeamos ou atracamos em uma duzia de pontos diferentes, em três estados fora do Rio. Servimos várias caipirinhas, e abrimos bons rótulos que acompanharam dezenas de refeições, em mais um pequeno cruzeiro de sucesso pelo Sul do Brasil.
Não registramos grandes avarias, apenas uma das baterias explodiu e nosso homem do convés trincou duas costelas! A bateria foi facil de resolver, mas a licença médica do tripulante nos deixou quase um mês desfalcados, o que não deixa de ser normal, neste barco ou em qualquer outro!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A Marina Modelo do Primeiro Mundo!

Em setembro de 2011, aconteceu um encontro no NZ Marine, o Superyacht Captains Forum, em Auckland, na Nova Zelandia.


O evento patrocinado em parte pelo Superyacht Group resultou em um estudo do que seria “The ultimate superyacht facility”, ou como seria a Marina ideal para receber barcos de grande porte. Ao contrario do que acontece em nossas águas, lá cerca de trinta e três comandantes de Super e Mega Iates, foram convidados a participar desta atividade, resultando numa lista de 50 “facilidades” que eles consideram como as mais importantes. Abaixo, relaciono e adapto as propostas feitas por eles:


1.       Proximidade de um distrito de negocios, o que em tradução livre seria: próximo do Centro. Eles consideram que os barcos devam ficar próximos de areas comerciais, com shopping centers, hoteis, restaurantes, cassinos e outras opções de lazer e entretenimento;


2.       Proximidade de opções de lazer noturno para passageiros e tripulantes, como cinemas, teatros, bares e até academias de ginastica;


3.       Aeroporto Internacional não muito distante, a fim de receber passageiros e efetuar troca de tripulantes, lembrando que a maioria destes barcos se destina a atividade comercial do charter, algo ainda distante de nossa realidade;


4.       Heliponto e Heliporto, onde não haja apenas o acesso, mas também um mínimo de apoio de manutenção;


5.       Hotel 5 Estrelas, a fim de dar suporte e hospedagem aos proprietarios, convidados e/ou passageiros;


6.       Hospedagem acessível para tripulantes e prestadores de serviço, que venham realizar serviços a bordo;


7.       Serviços de apoio, como internet de banda-larga, TV, concierge, café, bar e restaurante para a tripulação, assim como apoio de terra para manobra 24horas, os sete dias da semana (24X7);


8.       Facilidades para tripulantes, como bar, banheiros, chuveiros, academia e outros, nas proximidades da marina;


9.       Acesso facil, sem pontes e outros pontos que interrompam ou dificultem o acesso, como balizamento luminoso, por exemplo;


10.   Quebra-mar na dimensão necessária a fim de proteger os barcos;


11.   Calado, pois uma marina não pode ter restrição de acesso, devido à profundidade;


12.   Calado interno de, pasme, sete metros na piscina interna! Grandes veleiros precisam entrar, manobrar e sair a qualquer momento, inclusive em caso de incêndio;


13.   Area de manora satisfatória, que permita aos barcos realizarem o giro internamente;


14.   Proteção contra marolas e marulhos, causados por movimentação de barcos, ventos, ressacas e outras perturbações;


15.   Posicionamento correto das estruturas de apoio, levando em consideração o vento predominante, e a produção de sujeira e ruidos ao redor;


16.   Escritorio da Alfandega e outras formalidades na Marina;


17.   Proximidade de Supermercados ou Mercearias, Padarias e Quitandas;


18.   Acesso a transporte público;


19.   Restrição de acesso ao público, com segurança e vigilância permanentes;


ESTRUTURA DA MARINA


20.   Flutuantes altos e largos, que permitam duas mãos para os carrinhos de golf, utilizados como apoio e que sejam altos o bastante para não expulsar as defensas, além de ser estaveis, como se fossem cais fixos;


21.   Flutuantes preferencilmante estaqueados, para aumentar a segurança;


22.   Cabeços e cunhos fixados com parafusos passantes;


23.   Doca para botes de apoio, que recebam os barcos e passageiros em segurança;


24.   Cunhos bem posicionados ao longo do cais;


25.   Cais de acesso laterais, que permitam acesso a terra via escada de portaló;


26.   Acesso seguro a tripulantes, proprietarios, convidados, passageiros e fornecedores de serviços, as 24 horas do dia os sete dias da semana;


27.   Carros de Golf para apoio, cujo uso seja liberado aos tripulantes e passageiros;


28.   Acesso e Estacionamento amplo para tripulantes e passageiros;


29.   Acesso e Estacionamento próximo do barco para proprietarios e convidados;


30.   Energia farta e estável para todos os barcos atracados em plena carga. Eles pedem que sejam fornecidos 440VAC – 150 amp como o mínimo para uma grande marina. Possibilidade de cicladores para fornecer 50 ou 60 Hz, seria o ideal;


31.   Bote de Apoio, que tenha a potência necessária a auxiliar nas manobras, e até rebocar os barcos em seu interior;


32.   Facilidade para bombeamento das chamadas aguas negras, seria o correto;


33.   Cais de Abastecimento; seguro e bem posicionado. Eles aconselharam que o fornecimento não seja feito diretamente na vaga do barco, pois tras odores de combustível, além do risco de incêndio;


SERVIÇOS E REFORMAS


34.   Uma plataforma do tipo syncrolift com 1.500 toneladas de capacidade;


35.   Travelift para barcos menores, digamos umas 350 toneladas;


36.   Bancadas de trabalho proximas ao barco, para realizar pequenas manutenções;


37.   Facilidade para realizar reformas com o barco na água, a fim de reduzir o custo de docagem, quando não houver esta necessidade;


38.   Galpões para manutenção em area coberta e fechada;


39.   Docagem em areas adequadas, com fornecimento de energia;


40.   Area para manutenção e reparo de botes e motos-aquaticas;


41.   Area para instalação de conteiners de carga, a fim de receber grandes veleiros durante a escala de regatas;


42.   Area para estocagem de tintas, gasolina, solventes e outros produtos perigosos;


43.   Guindaste para retirada e colocação de cargas, pesos e mastros;


44.   Area de manutenção vigiada e com controle de acesso;


45.   Area de manobra para caminhões e outros veículos de carga especial;


46.   Programa de reciclagem de lixo e facilidade para descarte de óleo queimado;


47.   Equipamentos de combate a incêndio;


48.   Escritorios de apoio para o comandantes, com mesas, internet, telefone e outros serviços, para que sejam utilizados quando o barco estiver a seco;


49.   Oficinas e escritorios de prestadores de serviço;


50.   Lojas de material e equipamentos náuticos.


Evidentemente, vários dos itens listados acima estão a milhas e milhas do que imaginamos como básico, necessário e indispensável em nossas marinas, onde uma simples tomada de energia com meros 50 amp são ainda um sonho.

Se tiver alguma sugestão, faça através do espaço para comentarios deste Blog.
Bons Ventos!



quinta-feira, 3 de maio de 2012

A Vingança do Veleiro!


Foi durante a Semana Santa. Estavamos nós, um barco a motor, fundeados na cidadela máxima dos velejadores naquele feriado, a Ilha da Cotia em Parati. É bem verdade, que paramos sempre do outro lado da enseada, assim ficamos longe do agito, como é bem o nosso estilo.

Chegamos à madrugada da quinta para a sexta, pouco depois da meia-noite. Reduzimos em marcha lenta antes de ultrapassar a garganta entre o continente e a Ilha, e fizemos nossa manobra silencionsamente, mesmo para um barco de 90 pés a motor.

Passamos a sexta entre passeios de bote e caiaque, nem desembarcando nosso jet.

No sábado, bem cedo pela manhã, um barco semelhante ao nosso e fabricado pelo mesmo estaleiro, adentrou a baia através da mesma passagem que haviamos utilizado, e após uma ruidosa manobra de giro, saiu numa velocidade um tanto quanto desnecessaria para o local, em minha particular opinião.

Na parte da tarde, quando faziamos a aproximação de nosso barco de apoio, notamos a chegada de um veleiro em alta velocidade, ele fazia um enorme bigode à proa, sinal de que estava bastante acelerado para seu casco. Achamos curioso, ter tanta pressa para um fundeio, mas somente ai nos demos conta que de fato era um ataque! A intensão do veleiro Plutão (não é bem este o nome do planeta) era provocar uma marola, num ataque deliberado a um monstruoso barco a motor, que jazia inerte em sua âncora, a mercê de um veleiro (suponho) bastante vingativo!

Pode ser que ele nos tenha confundido com o barco que havia provocado a marola no inicio da manhã, ou que de fato tenhamos causado uma marola em outro dia qualquer, em outra época e outro local, não há como eu saber. De fato, e apesar de todo o esforço e combustível gasto naquela manobra, não há como um veleiro daquele porte, provocar uma manobra que afete um Iate de mais de 80 toneladas. É verdade que o referido ataque realmente atrapalhou nossa manobra com o bote, que foi adiada até que as marolas que atingiram nossa popa diminuissem. O pior ficou para os vários veleiros que estavam fundeados ao nosso redor, que devem ter sido mais incomodados do que nós, com esta atitude, no mínimo surpreendente, e quase cômica!

Infelizmente, o que dá para perceber é que alguns comandantes de veleiros só não causam marolas, porque não dispõe de uma embarcação que o faça, e não porque prezam às boas maneiras, e o bom senso. Não estou fazendo a defesa das lanchas, pois em sua imensa e esmagadora maioria, não olham para sua propria popa, a fim de medir o grau de perturbação que irão provocar na area de onde se aproximam, mas para condenar um tipo de atitude que só faz piorar a convivência, e os momentos de lazer das familias, que procuram no mar um refugio para as pressões e aborrecimentos que a vida numa cidade grande nos causa.

Num ato de não agressão, a La Gandhi, peço desculpas ao Capitão do Plutão, se caso o atrapalhei algum dia, provocando uma marola desnecessária, e informo a ele que raramente ultrapasso os dez nós, velocidade insuficiente para provocar marolas; e se o faço é por motivos técnicos, geralmente durante Provas de Mar.

Espero que este tenha sido um fato isolado, e que ele, o “Veleiro Vingativo”, não leve este tipo de reação para fora de seu quase inofencivo veleiro, pois se resolver ter este tipo de atitude em um automovel, numa avenida ou auto-estrada, pode ser fatal!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

ESTUDO DE PROPOSTA DE CATEGORIAS PROFISSIONAIS DE IATISTAS


Algum tempo atras, reunimos alguns comandantes de Iates, e desenvolvemos este projeto, voltado a legalização das atividades dos comandantes e tripulantes dos Iates Particulares no Brasil. Sabemos que o mercado deverá evoluir, e que dentro de muto pouco tempo, iates estarão sendo utilizados para atividades comerciais, e que nossa legislação não atende ou reconhece esta realidade, que existe em quase todos os paises desenvolvidos no mundo.

A proposta abaixo já chegou muito próxima da DPC, mas até agora sem sucesso, pois uma certa parcela dos proprietarios de barcos e estaleiros, preferem que o sub-emprego continue como regra geral.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


7º GRUPO: AQUAVIÁRIOS DE ESPORTE E RECREIO



Considerando que atualmente as especialidades de Esporte e Recreio em Vela e Motor são desempenhadas baseadas no conhecimento técnico de cada profissional, conseguido geralmente através de aprendizado prático, e muitas vezes sem suporte acadêmico de cursos profissionais que, em geral, são escassos;


Considerando que pela análise da situação corrente, acreditasse que ainda não convém uma separação em Seções e Especialidades, mas isto provavelmente virá de maneira natural, como, por exemplo, o caso de profissionais de Máquinas, que são raros nas embarcações de Esporte e Recreio, com registro brasileiro, exceção feita para as novas embarcações de comprimento total superior a 24 metros;



Considerando que o conhecimento de Marinharia Básica, chamado neste documento de Marinheiro Iatista, ou Marinheiro Auxiliar Iatista, pode vir a complementar os conhecimentos de mecânicos profissionais que viessem a desempenhar esta função, assim como os Chefes de Cozinha, Camareiros e outros profissionais;



Considerando que por ora não se faz necessário um Rol de Equipagem na Categoria de Esporte e Recreio, mas somente a dotação mínima, baseada nas categorias inicialmente sugeridas abaixo, que levarão em consideração o tipo de navegação, a tonelagem e o comprimento da embarcação. Em princípio, o Comandante da embarcação definiria os postos e funções necessários, efetuando o embarque da dotação que achar conveniente; e



Considerando que as embarcações de Esporte e Recreio são de uso privativo, e possuem cada qual, características próprias de arranjo e acabamento, não se faz necessária a definição de uniformes para este Grupo, sendo de livre escolha dos Proprietários.



É feita a seguinte proposta preliminar das seguintes Categorias abaixo discriminadas:


Categorias do 7º Grupo Aquaviários de Esporte e Recreio:


1.         Capitão Iatista Oceânico                     CIO


2.         Capitão Iatista                                     CIA


3.         Mestre Iatista Costeiro                        MIC


4.         Marinheiro (Auxiliar) Iatista               MAI


4. Marinheiro (Auxiliar) Iatista – MAI


Desempenharia a função de Comando de Embarcações de Esporte e Recreio, em águas interiores e baías de Iates de até 12 m. LOA, ou


Função auxiliar (ajudante) em embarcações maiores que estas, incluindo manobra de embarcações miúdas como bote e moto-aquática.


As demais funções exercidas à bordo poderiam ser definidas como:


Marinheiro Iatista de Convés, de Máquinas, Cozinheiro ou Camareiro, pois a todos seria exigida a mesma formação básica.


Idade mínima de 16 anos, com ensino fundamental completo.


Formação:


  • BST (STCW)
  • Prova de conhecimentos baseada nos parâmetros pedidos aos candidatos à Prova de Arrais Amador
  • Prova de Suficiência física (permanência).



3. Mestre Iatista Costeiro – MIC


Autorizado a Comandar Iates em águas interiores e baías de até 24 m. LOA, ou


Águas Costeiras, no limite das 20MN, com até 24 m LOA.


Idade mínima 21 anos


Formação:


  • 3 anos de tempo de embarque na categoria MAI, ou Somatório de Milhas Navegadas a ser definido.
  • radio-operador restrito
  • Primeiros Socorros Básico
  • Prova de conhecimentos baseada no Programa da Prova de Mestre Amador adicionado de Meteorologia, Navegação Eletrônica e outras destinadas a atividades profissionais, além de todos os certificados da categoria anterior.
  • Prova de Suficiência física + (permanência).


2. Capitão Iatista – CIA


Autorizado a comandar Iates em águas internacionais com até 24 m de LOA ou 200 TAB e em águas nacionais embarcações de Esporte e Recreio, sem limite de tonelagem. Receberia um Certificado Internacional de Competência.


Formação:


  • Proficiência em Primeiros Socorros Médicos + Operador Gerar em GMDSS (GOG) + Noções de Língua Estrangeira + Combate a Incêndio Avançado (AFF) e todos os certificados das categorias anteriores. Sendo necessário três anos de embarque como MIC ou comprovação de 10 mil milhas navegadas.
  • Prova de conhecimentos equivalente ao Programa da Prova de Capitão Amador, revisado e direcionado a atividade profissional
  • Secundário completo
  • Prova de Suficiência física (permanência).


1. Capitão Iatista Oceânico - CIO


Autorizado a comandar embarcações de Esporte e Recreio, em águas internacionais acima dos 24 m de LOA, portanto sem limite de tonelagem bruta.


Receberia um Certificado Internacional de Competência.


Não haveria exame a esta categoria, apenas Prova de Títulos que deveria pedir os seguintes certificados equivalentes: Estabilidade + Suporte de Vida + Noções de Língua Inglesa + Simulador radar e todos os das categorias anteriores. Sendo necessários 2 anos de embarque como CIA (ou 20 mil milhas navegadas) e Prova de Suficiência física (permanência).



Migração de Categorias:


A migração da categoria Amador para o 7º Grupo de Aquaviários de Esporte e Recreio não poderia ser feita de forma automática, pois não se trata de categoria profissional.


Os interessados em cambar deveriam prestar o Exame respectivo a sua atividade, apresentando os certificados necessários e ainda Prova de Tempo de Embarque, baseada em Declaração dos Proprietários das embarcações, ou três testemunhas isentas, utilizando documentação complementar como comprovantes de salário, Carteira Nacional de Trabalho, declaração de Iate Clubes e Marinas, entre outros.


Esta migração seria por tempo determinado, cerca de dois anos, para as pessoas que já atuam na área.



Os aquaviários de Esporte e Recreio portariam uma CIR e ainda um Livreto de Registro de Milhas Navegadas, onde seria feito o registro de viagens oceânicas. As duas categorias de Capitão receberiam um Certificado Internacional de Competência.



Os portadores da categoria de MAC – Marinheiro Auxiliar de Convés poderiam sim, cambar para a categoria de MAI – Marinheiro (Auxiliar) Iatista, pois se tratam de duas categorias profissionais. Outros profissionais dos diversos Grupos Aquaviários, assim como pessoal da Reserva da MB, teriam as regras e equivalências definidas.



Os cursos e certificações seriam fornecidos por Escolas homologadas pela MB e obedecendo as normas e parâmetros STCW.


Finais:




Visamos aqui justificar a importância da Normatização desta categoria, formada por algumas dezenas de milhares de "marinheiros", que diariamente trabalham em embarcações de Esporte e Recreio, ao longo de nossa costa e águas interiores. Esta proposta espera criar condições para a melhora da qualidade desta mão de obra e dos serviços prestados, equiparando a mesma ao que há de melhor em termos de iatismo mundial, dando-lhes assim o tardio, porém devido reconhecimento.

Se uma proposta "caseira" não for aceita, aconselhamos às nossas Autoridades, que verifiquem as legislações Europeia e Norte Americana, pois lá o nosso futuro já chegou, e estes problemas já foram resolvidos.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

17 Décimo-Sétimo dia (23/02)

Logo cedo, suspendemos a âncora e navegamos rumo a Sub-sede do Iate Clube de Santa Catarina, em Jurerê, cerca de quatro milhas a Sudeste de onde estavamos. Ao chegarmos, fiz o procedimento de entrada do barco, que por ser afiliado do ICRJ, tornou tudo mais simples. Com isto, nosso acesso estava liberado, e o veículo que iria levar nosso pessoal para um passeio poderia entrar, sem problema.

A aguardada Frente Fria entrou, porém com muito pouca força e nenhuma chuva, felizmente. Como o Sudoeste naquela área, sopra de terra, o mar não chega a levantar, e o risco não é dos maiores, o problema é o marulho que vem do mar aberto, que nos deixa balançando o tempo todo, já que permanecemos atravessados pelo vento.
O almoço em terra foi em um local que merecia até um capitulo à parte, o Restaurante Ostradamus, no Sul da Ilha. A historia do local, que nasceu de uma oficina de pintura de automoveis, e se transformou em um marco da cozinha e das tradições açorianas na Ilha, merece todo o destaque. Fora isto, o ambiente, os cuidados com a depuração de suas ostras, o vigor e o tamanho de seus camarões, peixes graúdos e suculentos e um surpreendente polvo de doze tentaculos! Sim, um octopus de doze tentáculos, o prato do Polvo da Andrea veio montado com uma duzia de tenros e saborosos tentáculos, lindamente caramelizados (para usar uma expressão bem foodie). Por fim, no Tens Tempo, a doçaria portuguesa, que fica na casa em frente, arrematou de vez o título de nossa melhor escala gastronômica!

O passeio incluiu alguns dos mais lindos panoramas da ilha e ainda uma passagem pelo Mercado Municipal, e como se fossemos seguidores do Anthony Bourdain, houve uma parada no Box 32, para um bolinho de bacalhau...

Florianópolis é tudo de bom!




16 Décimo-Sexto dia (22/02)

O forte vento de Nordeste do dia anterior, deu lugar a um Noroeste irregular e fraco durante toda a manhã, o barômetro havia caido de 1018 para 1012 mb e boa coisa não poderia ser. A previsão do tempo, obtida e cruzada de várias fontes pela via internet, anunciavam uma frente fria com muita chuva para as próximas 24 horas.

Passamos o dia na Armação, torcendo para que o tempo se mantivesse bom.
Ocorreu um verdadeiro desastre na cozinha! Das quatro picanhas maturadas uruguaias que trouxemos, apenas uma estava em condições de consumo, o que não seria suficiente para todos. Por coincidência, naquela mesma manhã, encostou um bote em nossa popa, e um senhor muito simpático sacou de uns camarões pistola, realmente grandes e ainda vivos, que pretendia nos servir em seu restaurante, o que acabou de fato acontecendo.

Foram todos almoçar no Restaurante do Tonho, salvos pelo Tonho, digo gongo!

Na janta, recuperamos a moral com uma bela mesa de queijos e vinhos, onde não faltou um folheado de brie e damasco.
Passamos a noite, de olho na tal da frente, que felizmente não entrou.

terça-feira, 10 de abril de 2012

15 DecimoQuinto dia (21/02)

Após uma noite, literalmente, balançando na ponta de uma corrente, suspendemos a seguimos para nossa próxima escala, a apenas uma hora de navegação.

Fundeamos as 11h00 na Enseada da Armação, forrada de barcos grandes e muito agito em terra. Assim que chegamos, nossos passageiros tentaram conhecer uma das criações de mexilhão ao nosso redor, mas não havia ninguém na manutenção, devido ao horario.

Vou poupar o leitor, de nosso cardapio deste dia, posso dizer apenas que foi de origem espanhola, e servido num tipo de panela baixo e largo...

O vento, mais uma vez se fez presente, aumentando de 10 para quase 30 nós durante o dia, e mantendo um bom folego a noite toda.

Como ceia, servimos um singelo bolo de fubá, pois a reclamação com o ganho de peso era geral!