segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

SEU BARCO É SEGURO?

Estamos quase encerrando o verão 2018, e felizmente não registramos as tragédias de 2017, quando um número enorme de embarcações pegou fogo, e contabilizamos além das perdas materiais, algumas lamentáveis vítimas fatais. Afinal de contas, uma atividade de laser não deveria envolver riscos a seu patrimônio, e muito menos à sua família. Infelizmente, não é o que acontece.

Nestas horas, surge a pergunta: será que meu barco é seguro? Será que posso sair despreocupadamente para passear, sem ter de viver um pesadelo? A resposta está na atitude de cada proprietário de embarcação, algo que nem sempre é levado a serio.

Uma lancha a gasolina costuma custar bem menos do que uma a diesel, porém alguns cuidados precisam ser tomados, para que nada de mal aconteça. SEMPRE, antes de dar partida no ou nos motores, é mandatório abrir a tampa dos motores. Não confie na ventilação forçada, o blower, como solução para qualquer eventualidade. Sabemos que os gases da gasolina podem se acumular no fundo do barco, e uma fagulha pode causar uma enorme explosão. Mangueiras de combustível baratas, podem ressecar e vazar o combustível pelo porão, e o resultado pode ser o mesmo.

Imagine a situação: a família embarca e seus filhos de aboletam no solarium de popa. Você pensa e tenta abrir a tampa, sob os colchonetes, mas a choradeira é geral e você aciona a ignição, com as tampas fechadas. Se nada de errado acontecer, bem. Caso contrário, poderá perder sua vida com a economia de um momento de “chatice”. Em minha vida profissional, de quase quarenta anos, já fui chamado de “tio”, “chato” ou metódico inúmeras vezes, porém nunca perdi nenhum tripulante ou passageiro por seguir regras de segurança.

Vazamentos de combustível é apenas um dos problemas que podem acontecer, mas existem vários outros. Extintores vazios ou vencidos, é outra ocorrência bastante comum. Desde que as Capitanias deixaram de fazer as vistorias anuais, ninguém mais se preocupa com os extintores. Falha muito comum é deixá-los embrulhados em plástico transparente, esperando que isto evite a corrosão. Ledo engano, é desta forma que eles são corroídos mais rapidamente. Se quer conserva-los, melhor seria aplicar um leve borrifo de silicone ou vaselina líquida sobre toda a superfície, mas nunca deixar de realizar o controle e verificação de carga e estado do cilindro. Diferente dos automóveis, a possibilidade de evitar um incêndio a bordo é real.

Se imaginarmos uma explosão no compartimento dos motores, um pequeno extintor de dois quilos, pouco poderá fazer. Porém, quando algo começa a fazer fumaça na cabine, e se inicia um incêndio que pode trazer consequências enormes, o extintor pode realmente salvar a situação.

O ideal é sempre desligar as chaves de energia, cortando a alimentação do barco, e com isto evitando que o maior causador de incêndios, perca sua alimentação. Realmente, a parte elétrica de um barco é seu maior perigo. Contatos mal apertados, emendas sem isolamento, aquecimento devido a falhas no dimensionamento dos cabos, estão entre as principais causas. Não esqueça que barcos de fibra-de-vidro, são na realidade, barcos de plástico reforçado com fibra de vidro, onde não raramente, cerca de 70% do casco é resina plástica. Plástico inflama, e muito!
Por fim, e não menos importante é outro tipo de combustível, o álcool. Infelizmente, é muitíssimo comum as pessoas pilotarem sob efeito da embriaguez causada pela ingestão de álcool. Não há como passar uma jornada de domingo totalmente “careta”, afinal de contas os barcos são o melhor meio de relaxamento de que as pessoas dispõe. Calor, gente bonita, água morna, churrasco na popa, comidinhas fritas, frutos do mar e muita caipirinha, cerveja e espumante, dependendo do caixa de bordo! Agora, se você paga um tripulante para sair com você, é evidente que é para ele conduzir o barco “em segurança para o porto de regresso”. Esqueça que sabe pilotar, e faça de conta que está na cidade, e que o bloqueio da Lei Seca pode lhe pegar na primeira esquina. Deite no colchonete, desligue a macheza e relaxe.

Evidentemente, se for pernoitar fundeado e não oferecer riscos a terceiros, vai fundo! Apenas, esteja seguro que o tempo está firme, e que não vai ter de manobrar às pressas, no meio da noite, com um baita de um Sudoeste arrastando seu barco para perto das pedras. Certa vez, entrou uma porranca dentro do Saco do Céu, e amanheci com três veleiros enrolados no meu cabo de âncora. Eles foram arrastados pelo vento, e como a noite anterior havia sido da pesada, não tivemos como acordar as tripulações, esperando o dia raiar e que os mesmos voltassem a “funcionar”. Demoraram um pouco para compreender o que havia acontecido, mas aos poucos manobraram e partiram, sem avarias. Se não fosse nossa amarra, teriam arrastado até a margem.

Com estes poucos cuidados, poderemos evitar os maiores causadores de acidentes a bordo. Gases inflamáveis, negligência e direção perigosa. Simples assim.


Bons Ventos!

domingo, 9 de julho de 2017

O MENOR DO PEDAÇO

Estava eu cuidando de minha própria vida, quando ao verificar minha Caixa Postal bati os olhos em um E-mail despretensioso, sem grandes apelos e que quase deixei de ler, pois parecia uma daquelas mensagens de propaganda. Porém, acabei lendo e para minha surpresa, se tratava de um convite para um evento na Itália.

De outras vezes, já havia sido convidado para encontros paralelos a Boat Shows, mas desta vez era para um Fórum independente. Respondi educadamente, agradecendo, pois, estava no Brasil e compreendi que o convite era para Comandantes nas proximidades.
Para minha surpresa, no dia seguinte recebi outra mensagem confirmando o convite, e que todas as despesas seriam pagas pelos organizadores, incluindo a passagem de ida e volta para Viareggio, além da hospedagem, traslado e alimentação.

Após uma consulta ao meu empregador, fui liberado a participar do evento e um mês depois eu estava arrastando mala no Galeão. Como sorte pouca é bobagem, ganhei upgrade e fui para a Europa de Business da Luftansa... sem comentários, por favor.

Bem, falei do milagre, mas não disse nada sobre o Santo. O evento foi o YARE 2017, um encontro de Comandantes de Superyachts patrocinado pelo Governo da Região Toscana e das províncias de Lucca, La Spezia e Carrara, juntamente com todos os principais estaleiros dedicados a reformas, visto que era esta a finalidade do encontro, criar um networking de Comandantes e prestadores de serviços, visando trazer negócios para a região.

Evidentemente, o Iate que comando estava bem deslocado, seja devido a distante localização, seja pelo tamanho. Noventa pés é um tamanho de barco bastante considerável no Brasil, mas no Mediterrâneo era apenas um bote. Meus colegas comandavam, em sua grande maioria, Iates de Charter de 40 a 70 metros de comprimento. Encontrei alguns ingleses, muitos Ucranianos, Russos e Croatas, pois os barcos alugados para clientes russos estão em alta na região. Poucos norte-americanos e canadenses, assim como espanhóis e alguns poucos exóticos como eu, um libanês, uma única mulher comandante dinamarquesa, que opera um barco no Senegal e claro, muitos italianos. De brasileiro, somente eu e um colega, o Bustamante, que trabalha em um barco que circula entre o Caribe, Flórida e Mediterrâneo, que por sorte estava na Itália.

O evento começou sob um frio fora de época, pois abril já era para estar menos gelado. No primeiro dia, circulamos em dois ônibus lotados, por vários estaleiros. A infraestrutura disponível na região é algo estarrecedor, principalmente para quem quase não dispõe de meios de docagem. Lá, travel-lifts de 600 Toneladas se encontra em cada esquina. Docas secas, flutuantes, pontões e carreiras de todos os tamanhos, estão à disposição. A cada estaleiro, ouvíamos considerações, explicações e tirávamos dúvidas sobre as características do local. Isto sem falar em comidas e bebidas em quantidade, afinal de contas estávamos na Itália, e se há algo sempre colocado em primeiro lugar, isto é sempre a comida.

Sinceramente, focaccias recheadas de Parma e tomate cereja são uma delícia, mas o Maestrale de vinte nós transmitia uma sensação térmica de zero graus, o que tirou muito do prazer da visita.
Retornando ao Hotel UNA em Lido Dei Camaiore, continuação para o Norte de Viareggio, encontramos mais comida e bebida, no que chamaram de Welcome Cocktail. Afinal de contas, o expediente já havia encerrado. Evidentemente, eventos de finalidade comercial são organizados como tal. A bebida foi fornecida pela Hennessy, e baldes de Moet Chandon cercavam o salão, assim como material promocional de várias empresas da região. A música ficou por conta de um excelente grupo de Jazz, que se apresenta de forma privada em Megayachts, e um italiano septuagenário cantou todo repertório de Louis Armstrong, com incrível semelhança de voz. Pelo menos, pintou um risoto para esquentar a barriga.

No segundo dia, aconteceu um Fórum, onde os Comandantes expuseram suas dificuldades ao contratar reformas nos estaleiros, coisas totalmente fora de nossa realidade. Devido ao clima, é normal que os barcos façam pequenos reparos durante o inverno e o início da primavera, estas pequenas obras podem chegar, nos barcos de maior porte, facilmente a dois milhões de Euros. Veja que não estou falando de um refit ou rebuild, mas uma “obrinha” de final de estação!

Os mediadores tiveram bastante trabalho para aplacar certos ânimos, e um colega egípcio chegou a lançar um pequeno manifesto, reclamando de taxas de retirada de lixo para lá de abusivas, elevados custos de calefação nos galpões, que recebem barcos de centenas de toneladas de arqueação e outras coisas bem fora de nossa realidade.

De noite, rolou mais um jantar, desta vez em um antigo convento do século XIII, bancado pelo Estaleiro alemão Lürsen, o problema mais uma vez foi a temperatura, pois foi tudo servido ao ar livre e dois graus não tem graça alguma!

No terceiro dia, o enorme salão de convenções foi coberto por mesas de trabalho, cada uma reservada a um Capitão, com duas outras cadeiras para receber os patrocinadores cotistas do evento. Antecipadamente, tivemos de escolher um mínimo de 25 empresas dentro das mais de cinquenta participantes, e a cada período de vinte minutos, tocava um gongo e recebíamos uma nova dupla de “vendedores” de serviços. Recebi empresas de comunicação satelital, fornecedores de artigos de couro, roupas de cama, tintas, serviços mecânicos, marinas, estaleiros de reparos, agentes e fornecedores de catering para Iates. Realmente, no início parecia que o evento seria o que no turismo se chama de fan tour, porém o ritmo e o grau de exigência foi bastante alto e as cifras envolvidas deixaram bem claro, que ali estávamos todos para trabalhar. Conversas em inglês, italiano, francês e alemão eram ouvidas por toda parte.

Como encerramento, após um dia bastante cansativo, jantamos no Iate Clube de Viareggio, e me mantive fiel a meu grupo preferido de Comandantes, liderados pelo Igor, um experiente Capitão russo de 65 anos, e dono de um curriculum invejável. Os quase setenta comandantes participantes o elegeram nosso “Almirante”, além dele e do Bustamante, faziam parte um Capitão esloveno bem mal-humorado, um jovem croata de um megayacht de 43 metros, um canadense e o libanês.

No derradeiro dia, fizemos atividades recreativas. Um grupo subiu as colinas de mármore de Carrara (as colinas são literalmente de mármore) em veículos 4X4 e outros foram a Lucca, conhecer sobre o maestro Puccini. No almoço, um bufê para lá de Russo, com blinis e caviar de salmão, ostras, espumantes e claro, a tradicional italiana focaccia com Parma e funghi.

Depois de tantos super e mega Iates, pode parecer que fui o menor barco do evento, o que é praticamente a verdade. Quando nas rodas de conversa, vinham as perguntas sobre o tamanho do barco, e eu dizia que era um trawler de 90 pés, ninguém dava muita atenção, mas quando ficavam sabendo que já havíamos estado do Mediterrâneo duas vezes, e que tínhamos realizado as travessias, sem o auxílio de um navio-doca, a coisa mudava de figura. Acabei percebendo que eles, por maiores que sejam seus iates, costumam circular por perto e que suas “travessias” não chegam a três noites de duração. Posso ter ido com o menor barco, mas ninguém “tirou farinha” da gente!


O Gattina tem 40.000 milhas náuticas em seu curriculum, nada mal.

terça-feira, 11 de abril de 2017

MANUTENÇÃO PREVENTIVA:

O SEGREDO PARA SEU BARCO VALER MAIS

Quem acha que existe algum baú de David Jones para ser aberto, de onde sairão segredos e encantos para fazer seu barco valer mais, está enganado. A única pratica a ser religiosamente cumprida é a Manutenção Preventiva, um investimento de longo-prazo, contínuo em tempo e capital.

Dito assim, a manutenção parece ser uma atividade meio enfadonha. Pode ser que seja mesmo, porque é rotineira e assim como obra de infraestrutura pública, não aparece para o eleitorado. A única maneira de saber se ela funciona, é deixar de faze-la e controlar o aumento dos reparos corretivos, as trocas de equipamentos condenados e os finais de semana perdidos por quebras e problemas, consequentemente o barco entrará em declínio, assim como seu futuro valor de revenda.

Se existe uma máxima em relação a manutenção de um barco é que BARCO PARADO É BARCO QUEBRADO. A falta de uso regular, traz mais problemas do que o uso regular.

Como exemplo, tomemos o inverno da Região Sudeste, época do ano em que a temperatura média diminui e as frentes frias conseguem chegar com maior regularidade e efeito, as pessoas tendem a utilizar menos os seus barcos, e algumas simplesmente esquecem de sua existência, largando seus companheiros de verão numa gaveta de marina por meses a fio, lembrando deles apenas após as primeiras lufadas de vento quente da Primavera.

Nesta hora, o motor já está engripado, a linha de combustível esta entupida de uma gelatina formada pela gasolina velha, e seu passeio já azedou. Saibam que qualquer combustível dura apenas algumas semanas de forma saudável em seu tanque, depois nem para Coquetel Molotov! Lembremos que no Brasil, a gente mistura álcool hidratado com tudo: gasolina, diesel e até com limão e açúcar.
O álcool é higroscópico, ou seja, absorve agua que com o calor e o frio alternados, condensa nos tanques, depois se acumula no fundo dos mesmos, seguindo então para os filtros, bombas e bicos injetores. Não tem defesa para isto, a não ser utilizar o combustível da melhor procedência possível e, como já mencionado, utilizar o barco.

Além dos problemas com o combustível, as baterias já estão a meio caminho para a reciclagem (sem carga regular, elas morrem), seus estofados estão mofados, os eletrônicos com mau contato e o tanque da água pode servir até para criar girinos, juntando tudo... vai ter um baita de um prejuízo.
A bem da verdade, o nosso Inverno não é lá estas coisas. Durante os nada raros dias de sol, a temperatura pode ficar muito agradável. Sabemos de enseadas abrigadas que permitem um mergulho quase o ano todo. Outra vantagem é que com menos barco circulando, diminui a turma da marola para perturbar sua paz e é muito mais fácil arrumar um bom local para ancorar.

A cerveja não irá ferver na lata e a fuligem do churrasco não vai grudar em seu corpo suado.
Portanto, use seu barco sempre que as condições permitirem, mantendo a atividade. Os equipamentos lhe darão menos problemas, e ainda irá considerar quebras, como dentro de uma relação custo/benefício favorável a seu lazer e prazer.

Pergunto agora, qual a diferença entre barco velho e barco antigo? Simples, tudo depende do estado de conservação. Conheço barcos com mais de cinquenta anos de uso que continuam circulando em grande forma, enquanto outros com apenas uns poucos anos já estão decadentes e na boca do mercado.
Comprar um barco com motores e casco de boa qualidade já é um bom começo, mas não é tudo. Tenha atenção ao receber os manuais de uso e manutenção dos motores e outros equipamentos, que precisam vir com o barco. Tê-los e lê-los, colocando em prática suas rotinas é um bom caminho. Para isto, ao analisar vários manuais, monte uma Planilha e controle pelas horas de uso dos motores e geradores, ou mesmo crie uma programação de verificações semanais, mensais e anuais. Force seu marinheiro a segui-la, caso tenha um barco tripulado.

Tenha oficinas de confiança para lhe prestar serviços. Na beira do cais, sabemos que isto não é muito fácil de se encontrar, pois a recente crise causou uma pulverização do mercado e a falta de bons clientes fez com que surgissem oficinas de fundo de quintal, algumas tocadas por aventureiros e picaretas. Procure saber com os profissionais da área de apoio, como gerentes de marinas, donos de lojas de material náutico e outros, quem atende de forma responsável e que poderia lhe atender sem as dores de cabeça tão comuns em nossa área, ou melhor, em nosso pais.

Se sua embarcação roda sempre, ou se você mora em um barco de cruzeiro, sem paradeiro, seja no Brasil ou mesmo no Exterior, você sempre poderá recorrer a sua oficina “matriz”, para conseguir uma indicação de alguém de confiança para lhe atender. Autorizadas e bons profissionais estão sempre em contato com os outros representantes em diferentes portos.

Se comentamos que Barco Parado é Barco Quebrado, também é fato que um barco que é utilizado sempre, precisa de um período de parada para manutenção, quando equipamentos podem ser desmontados e revisados da forma apropriada. Considero a romântica Primavera, como a melhor época de fazê-lo na região Sudeste do pais, pois o tempo costuma estar bem pior do que durante o inverno, com chuvas e ventanias a todo momento.

Manter a pintura de fundo e os anodos em dia, para barcos mantidos na água são atividades obrigatórias, pois um descuido nesta parte pode permitir que a osmose se instale no casco, e a falta de proteção elétrica vai consumir hélices e descargas, além de causar problemas a bordo. Quando você roda com o casco sujo, força os motores, aumenta o consumo e produz fumaça, diminuindo seu prazer de navegar.
O costado e a cabine têm de ser tratados com carinho, no primeiro nada de abrasivos, não permita que a buchinha verde-e-amarela da 3M entre em seu barco, assim como Sal Azedo, Jato Royal, Solupan ou qualquer outro ácido deste nível. Na cabine, tolda, capa e muita proteção. Até mesmo a cera com polimento mecânico, precisa ser utilizada com muito cuidado, pois é abrasiva e com o tempo exige pintura.
E a tal da Teka? Mais um produto cultural importado. Ela esquenta, queimando nossos pés, pede um banho diário de água salgada e ouros cuidados que dificilmente temos tempo de realizar. Quando vinho, fuligem, combustível ou outra substância entra em seus veios e poros, o trabalho de limpeza se multiplica. Imagine então, um barco de adeptos da pesca... aquele sangue misturado com escamas e outros fluídos. O caos!
Voltemos aos estofados, pois eles precisam ser conservados em local seco e à sombra, trocas a cada ano significam falta de cuidado. Toldas e capotas, se possível, devem ser conservadas sexcas, enroladas e encapadas, o que aumenta bastante seu tempo de vida. Carpete no teto, foi moda e costume nos anos 1980, agora nem no piso, pois junta umidade, sujeira e é quase impossível de limpar, mesmo os 100% sintéticos.

Já os eletrônicos precisar ser acionados periodicamente, mas seu uso estático, sem de fato serem operados em condições reais, costumam resultar em mau funcionamento, e os rádios serão os primeiros a dar problemas, assim como televisores e aparelhos de som. Apesar de bastante caros, uma atualização com trocas de tempos em tempos é quase inevitável, pois este tipo de equipamento tende a obsolescência, mas nada que se compare aos nossos celulares, que viram sucata na velocidade da luz!
Na parte elétrica, tenha atenção especial com as baterias, elas devem ser mantidas presas em seus suportes, carregadas e seus contatos bem ajustados e limpos, assim como é necessário um reaperto regular de todos os parafusos dos quadros de distribuição, assim como os contatos do aterramento. Lembre que barcos vibram, e isto costuma afrouxar tudo a bordo.

Se você tiver ar condicionado refrigerado a água do mar, limpe a rede de circulação dos compressores, pois tendem a entupir com cracas e outros animais de corpo calcáreo. Para este tipo de limpeza, se faz uso controlado de acido, que retira as incrustações. Porém, realize esta limpeza em circuito fechado e neutralize o produto com bicarbonato ou o que for indicado para o produto em questão, a fim de neutralizá-lo, antes do descarte.

Há uma diferença entre o barco que roda muito e o barco “rodado”, todo mundo na beira do cais sabe que barco roda com frequência e que não costuma dar problemas. Assim como sabem que barco roda com “gambiarras” e de qualquer maneira, com os manetes arriados ao máximo e que já estourou as turbinas algumas vezes. A troca frequente de tripulantes é outro sinal de que alguma coisa não vai bem a bordo, pois o Marinheiro ou Capitão costuma zelar pelas boas condições do barco, e sua troca faz sempre surgir alguma suspeita.

Portanto, se existe algum segredo, é manter o barco regularmente em atividade, e isto vale também para barcos tripulados. A falta de programação de trabalho, causa muitas vezes desinteresse e falta de empenho da tripulação. Uma loja sem compradores, um restaurante sem clientes e um barco sem passageiros são o retrato da tristeza.

Se você é seu próprio tripulante, tenha um conjunto básico de ferramentas para manutenção. Ele deve incluir alguns alicates como o universal, bico e de corte. Chave inglesa, chaves de fenda e Philips variadas, algumas chaves de boca como a 11 e 13, martelo de borracha, fitas adesivas, fita isolante, teflon, abraçadeiras de inox e plástico, spray desengripante tipo WD, silicone e vaselina, além de graxa náutica e um farto “cemitério”. Um pote com inúmeras porcas, arruelas, parafusos, molas, pinos e tudo o mais que conseguir colecionar. Tome especial atenção para que nada de ferroso entre em seu barco, a ferrugem é seu maior inimigo.

Finalmente, sobre o barco valer mais, fica o pensamento: O que é valer mais?
O que vale mais do que um lindo dia passado a bordo com a família? O que vale mais do que explorar uma nova enseada? O que vale encontrar os amigos e amarrar um barco no outro, lado a lado, como se apenas uma âncora bastasse para segurar uma frota de lanchas?

Certa vez, ao retornar de uma grande viagem, ouvi meu patrão dizer:
- “Considero o barco pago”
Ou seja, a partir daquele momento ele considerava que o investimento e toda a despesa realizada em melhorias e manutenção estavam quitados, que o barco havia sido pago com o prazer de bem navegar, descobrir lugares, conviver com pessoas amigas, comer bem e beber do melhor, absorvendo as boas experiências que a vida pode nos dar!

Espero que todos tenham esta mesma oportunidade, e que seus barcos lhes deem muito prazer e que realizem todos os seus sonhos, pois o valor – neste caso - é subjetivo.


segunda-feira, 30 de maio de 2016

- “Capitão, nosso barco foi alugado para Charter durante as Olimpíadas... te vira!”

Esta frase provavelmente será ouvida por alguns dos responsáveis por iates a vela e a motor de maior porte, que circulam em nosso litoral. Pode parecer radical, mas é por ai que as águas correm neste mercado. Não dispomos de empresas acostumadas a receber clientes de grande cacife e nelas, pessoas pouco experientes tentam organizar os inimagináveis detalhes que envolvem a operação de Charter de um Iate tripulado de grande porte. Nossa infra-estrutura turística esta acostumada com passageiros enviados por operadores de turismo de massa e são poucos os que tiveram a oportunidade de mergulhar no mercado de turismo de luxo, onde o Charter de grandes iates é o que há de mais sofisticado.

O trabalho deve começar no aeroporto, onde o receptivo e traslado até o barco deve ser da forma mais confortável e segura possível. Helicópteros são uma rotina para estes passageiros, e deve fazer parte do pacote. Ao chegar à Marina, carrinhos de golfe para passageiros e bagagem precisam estar à disposição. Se não existirem ou não forem necessários, os carrinhos de bagagem precisam estar prontos e limpos, próximos do estacionamento.

Porém, faremos uma parada no Cerimonial de Chegada para lembrar que, bem antes disto tudo acontecer, o cliente foi consultado e enviou todas suas informações, preferências e restrições alimentares, assim como as bebidas para atendê-lo e que tudo já foi providenciado de acordo. Para fazê-lo, os Comandantes recebem algo em torno de 10 a 15% do valor do aluguel do barco como verba de preparação ou Cash Advanced. Com este caixa, compram-se todos os itens necessários a uma experiência completa: águas importadas, vinhos, champagnes, destilados, charutos, alimentos incluindo queijos, frutos do mar, carnes e todas as frutas, legumes, temperos, sorvetes e doces necessários, tudo absolutamente de primeiríssima qualidade, tarefa nada simples, pois dependendo do local onde se encontra o barco, mal e mal existe um mercado. Na Europa, empresas como a italiana Mansueto, fornecem todo e qualquer item em qualquer porto de Mediterrâneo. Só para mencionar um detalhe que raramente é incluído na preparação dos barcos no Brasil, é que vários arranjos de flores devem enfeitar o barco, sendo substituídos a cada período de aluguel ou quando as mesmas se entregam às exigências de nosso clima (lamento, porém se trata de um item complicado, mas obrigatório).

O Comandante precisa receber antecipadamente o nome dos passageiros, e utilizando as redes sociais fazer uma pesquisa para melhor conhecê-los. Nesta lista é necessário verificar as datas de nascimento e verificar se haverá algum tipo de comemoração familiar, como aniversario de casamento, etc. Nas citadas redes sociais, é possível levantar as características das pessoas, e até mesmo treinar a tripulação em reconhecê-los, sabendo os nomes de cada um.

Nosso caro Comandante deve organizar uma pequena pasta, que será entregue aos novos “hóspedes”, nela deve constar uma folha com a foto, o nome e a função de cada tripulante, além de um pequeno descritivo do barco e as principais características do mesmo, incluindo os brinquedos aquáticos à disposição dos passageiros. Se conseguir uma revista ou Guia (bilíngue) do local em que navegarão completaria o material de apoio. Por falar em tripulação, já comentei no texto anterior sobre este mesmo assunto, e que a relação Passageiro/Tripulante deve ser o mais próxima do empate. Além do Capitão, esperasse que o barco tenha uma Hostess, geralmente uma tripulante jovem e dinâmica, que preferencialmente domine o idioma do passageiro (ou o inglês) e que ficará encarregada da ligação entre a tripulação e o cliente. Na cozinha, nada menos que um Chef de Cozinha de verdade para atendê-los, auxiliado por um tripulante na função de garçom, que deverá cuidar da arrumação das mesas, serviço de bar e talvez até mesmo a arrumação das cabines. No convés, tripulantes cientes dos cuidados com a segurança dos passageiros, sejam adultos, pessoas de idade, crianças ou mesmo animais de estimação!

Voltando ao Cerimonial:

Ao chegar a bordo, o barco deverá estar impecavelmente limpo e brilhando, com a tripulação devidamente uniformizada, e não me refiro à simples camisetas estampadas com o nome do barco, mas algo que se possa chamar de uniforme completo, bermudas, bonés, cintos, camisetas e talvez até calçados de bom padrão. Tripulantes bem barbeados e no melhor de sua apresentação.

Enquanto as bagagens seguem para as cabines, o Capitão oferece o chamado Welcome drink, invariavelmente composto de um bom Champagne e canapés da melhor qualidade, do tipo: salmão defumado, caviar, camarões ou qualquer outro ingrediente de primeira linha, que precisa estar dignamente bem apresentado.

Daqui em diante, começa o trabalho de tripulação propriamente dito, e quando a influência da agencia ou qualquer outro intermediário é interrompido, e sobre isto, falaremos em outra oportunidade.


terça-feira, 12 de abril de 2016

Horizonte nebuloso para o Charter de Iates nas Olimpíadas brasileiras.

Considerada como a mais luxuosa forma de turismo sobre a superfície de nosso planeta, o aluguel de grandes embarcações, sempre foi considerado como algo distante da realidade de nossos proprietários de embarcações. Sabemos que o principal motivo desta atividade não ser considerada por muitos, é o inconfessável ciúme de suas embarcações, mas isto é outro assunto.

Tido como a atividade comercial que impulsionou o renascimento da construção de iates, principalmente na Europa, desde que os nobres árabes diminuíram suas compras na distante década de 1990. Os estaleiros europeus e norte-americanos passaram a se dedicar à construção de iates cada vez maiores e mais sofisticados, que geridos da maneira apropriada tem seu custo anual zerado, e em muitos casos passam mesmo a gerar uma enorme receita a seus proprietários, a ponto de muitas empresas hoje se dedicarem exclusivamente a operar grandes frotas de Super e Megayachts de aluguel.

Estes barcos, cujo valor unitário pode ultrapassar a cada dos Cem Milhões de Euros, operam nas águas do mundo todo, tendo o Mediterrâneo como principal área de navegação. O Caribe+Flórida seria o segundo local mais procurado e até mesmo a distante Indonésia é considerada como um mercado de atuação de tais empresas. Porém, quando olhamos para o nosso umbigo, vemos que o aluguel de barcos em nosso imenso (e inóspito) litoral é irrisório, se restringindo a pequenas lanchas de passeios diurnos e algumas companhias que alugam veleiros, notadamente no sistema bareboat (sem tripulação).

O Charter envolve grandes embarcações, grandes investimentos e despesas milionárias. O Annual Report 2012 da publicação inglesa The Superyacht, apontou que no ainda negativo ano de 2011, o faturamento global de todo o trade envolvendo os iates apenas a partir dos 30 metros de comprimento, ou cerca de cem pés, foi de €21.3 Bilhões (R$85 Bilhões). Nada mal para uma frota de estimadas 4.500 embarcações (igual ao nosso rombo das contas públicas em 2015).

Este surpreendente mercado envolvia então 33.000 tripulantes e outros 140.000 trabalhadores em terra. Cerca de 6.000 empresas se dedicavam a construir, reformar e dar manutenção a estas embarcações. Fornecedores de alimentos, bebidas, flores, combustível, lubrificantes, peças de reposição, uniformes, enxovais e acessórios de todos os tipos completavam o leque de participantes, sem falar no aluguel de aeronaves, veículos variados, despesas com restaurantes, compras e lazer em terra.

Enquanto isto, em nosso litoral o número de iates com mais de 30 metros não chega a uma dezena e muitos deles em precárias condições de uso, sempre no que diz respeito ao Charter de alto padrão, sendo que nenhum deles está oficialmente dedicado a esta atividade. Os motivos são vários e bem conhecidos de quem labuta o mundo empresarial brasileiro. Confusão e excesso de burocracia, falta de regulamentação específica, dificuldades com as Seguradoras, qualidade e falta de profissionalização das categorias envolvidas e total ignorância dos players, sejam proprietários, capitães, autoridades e até mesmo da clientela em potencial. Muitos proprietários brasileiros, só estudam alugar para clientes estrangeiros.

Com a aproximação das Olimpíadas, mesmo alguns dos mais ciumentos proprietários, como comentamos acima, acabou cedendo aos encantos das muito elevadas cifras envolvidas, e a possibilidade de alugar seus barcos numa época do ano em que os mesmos permanecem quase ociosos, passou a ser muito atrativa. O problema é que ninguém sabe como atender a este público requintado e exigente, e a possibilidade de sairmos com esta clientela insatisfeita, e o mercado fechado para os próximos anos ou décadas é enorme.
Recentemente, tive contato com alguns barcos que já estão reservados para mais de um pacote de sete dias, todos para o próximo mês de Agosto. Muitos serão utilizados apenas para lobby de patrocinadores, servindo de palco para festas e reuniões, porém outros serão utilizados para passeios em nossas águas e é ai que mora o perigo.

Num barco de charter, a relação entre passageiros e tripulantes é de um para um, mas às vezes existe bem mais do que um tripulante para cada conviva. Nossos barcos costumam ter tripulação bastante reduzida, utilizando tripulantes “multi-função”, algo não muito bem visto neste mercado. A qualidade dos cozinheiros (quando existem) não chega nem perto dos Chefs necessários a trabalhar com o padrão requintado destes hóspedes. Lembremos que a diária a bordo de um Iate de cem pés deve rodar em torno dos US$10mil! Portanto, foie gras, caviar, champagne e outros ingredientes sofisticados são uma regra e não uma curiosidade difícil de ser até mesmo comprada em nosso exótico pais.

Quanto aos comandantes, a imensa maioria não domina outro idioma, nem se considerarmos o “portunhol” como algo louvável. Não embarcamos hostess, uma tripulante que cuida das necessidades dos passageiros, gerando o mínimo de atendimento necessário. Em relação à manutenção, não há como prever o que irá acontecer, pois peças de reposição costumam demorar semanas e não horas para serem encontradas em nossos poucos fornecedores, portanto o risco de paradas técnicas é enorme.

Nós temos o vicio de acreditar que sorrindo resolvemos qualquer dificuldade, e que nossa natural simpatia tem o dom de aplacar qualquer estresse causado por falhas quaisquer, infelizmente quando falamos em clientes estrangeiros, acostumados a ser extremamente bem atendidos as coisas ficam mais complicadas, e pesadas ações de reparação poderão ocorrer.

Temo que, dependendo do resultado das dificuldades encontradas, o Brasil acabe saindo das Olimpíadas com o infeliz título de um pais sem condição de receber este tipo de cliente, e que nos reste permitir que as grandes empresas européias e norte-americanas consigam a já requerida e sonhada isenção de impostos, e que fiquemos à beira do cais, não “a ver navios”, mas a ver Megayachts lotados de tripulantes estrangeiros, restando aos nossos conterrâneos os trabalhos de menor remuneração, apenas para cumprir um perverso sistema de cotas, que nos limita a histórica situação de “colonizados”.




O Navegador Sem Noção I

Desregra Primeira: Não respeitar o RIPEAM 

O RIPEAM (Regulamento Internacional para Evitar Abalroamentos no Mar) parece não ser levado  muito em consideração em nossas águas. As pessoas são obrigadas a estudá-lo desde a prova de Arrais, mas parece que depois ele cai no esquecimento. Em sua páginas as ilustrações, explicam de forma prática, a maneira como cada embarcação deve se comportar ao cruzar com outra qualquer, e isto pra dizer pouco. 
Já passei por inúmeras situações de risco devido ao não cumprimento das regras. E olhe que elas são fixadas obrigatoriamente à vista de quem ocupa o posto de pilotagem e portanto não tem desculpa. Na Bahia, no Paraná, no Caribe, em Angra dos Reis e em quase todos os locais por onde já naveguei, vi gente trocando as bolas na hora de guinar. 

Em Angra (e Paranaguá) há um código secreto que é baseado no tamanho da marola do barco que você vai cruzar e sua velocidade em relação a ele. Levando estes importantes dados em consideração, o barco “opositor” guina a boreste ou a bombordo, de acordo com sua própria vontade. 

Como são emocionantes os finais de tarde nos corredores criados entre as ilhas da baia da Ilha Grande! É  barco de tudo que é lado, cada um fazendo o que bem entende e todos utilizando o máximo que seus motores permitem, pois depois de ficarem parados por horas a fio, bebendo, comendo, conversando, azarando e se divertindo, todos são tomados por uma pressa sem limites e decidem que precisam chegar em terra imediatamente. 


À noite a coisa piora! Bólidos irresponsáveis cruzam no breu em alta velocidade. Às vezes sob chuva e em condições de baixa visibilidade, e nestas ocasiões costumam haver os problemas, com colisões, encalhes, abalrroamentos e todo o tipo de acidente. Além de ser lamentável, devemos lembrar que tais acidentes poderiam (na imensa maioria das vezes) ser evitados. 

Concordo que somos obrigados a aprender algumas regras que praticamente não são utilizadas, como linguagem de apitos e outras coisas do gênero, como gongos e badalar de sinos, porém, manobra é segurança e deveria ser levada muito a serio! 

Sabemos que barcos muito grandes e igualmente rápidos geram marolas gigantescas, e que seus pilotos não se preocupam com a esteira que causam, mas para tudo tem limite. Isto me faz lembrar de outra regra que foi bagunçada pelos navegadores: 

- Veleiros tem prioridade sobre barcos a motor. 

Isto é quase um fato, mas apenas quando, de fato, o barco estiver velejando! 

Já passei por esta situação muitas e muitas vezes. Um veleiro vem pelo meu bombordo, belo e faceiro e cruza a minha proa como se fosse o dono do oceano. Porém, apesar de ser um veleiro, esta com as velas arriadas, bem atadas à sua retranca e acredita que apenas por ter um mastro, tem preferência na manobra, o que está bem longe da realidade. Caros velejadores, quando seu barco estiver sendo impulsionado pelo seu próprio motor, você é tão barco a motor como qualquer uma daquelas lanchas que você tanto odeia! A bem da verdade, veleiros não fazem quase marola, mas nem por isso tem “licença poética” para interpretar a regra a seu favor. Se acha que pode, tente fazê-lo com um navio em manobra de aproximação pelo canal. Vais tomar um "buzinaço" e ainda vai ser rebocado na marra pela lancha do prático! Se der tempo, é claro. 

Já tive vários problemas com barcos de todo o tamanho e procedência, já vi barbeiragem de navios, de práticos pilotando navios, de veleiros, de muitas lanchas e eu mesmo já devo ter cometido uma navalhada ou outra, mas evito sempre fazê-lo, ou não teria cabimento estar passando isto para vocês. 

Considero que o RIPEAM deveria ser exaustivamente rememorado, para o bem e a segurança de todos que tem no mar o seu lazer, o seu esporte ou mesmo seu meio de vida. Por fim, as autoridades navais e policiais também deveriam dar o exemplo, exigindo de seus comandados o cumprimento das mesmas regras mencionadas acima, afinal estamos em tempos de paz. 

quarta-feira, 6 de abril de 2016

PALESTRA NO HORIZONTE

No próximo dia 14 de abril, as 18h00, devo realizar uma Palestra no Rio Boat Show na Marina da Gloria. O assunto, como não poderia ser diferente, serão os vários aspectos que envolvem os raros IATES DE CRUZEIRO A MOTOR.

Pretendo falar um pouco sobre um livro que estou finalizando sobre este assunto e também um pouco sobre minha experiência a bordo do Gattina, e sobre as muitas milhas que cruzamos nestes últimos dez anos.

Comentar sobre este modo de vida alternativo, sem que se tenha de abrir mão do conforto, da segurança, dos prazeres da vida e do contato com as pessoas, é a finalidade deste encontro.

Conto com a sua presença.

Bons Ventos!
Alvaro Otranto